Inteligência Artificial

App Store: Apple endurece regras contra apps de nudez com IA

A Apple atualizou as regras da App Store para barrar apps que despem pessoas com IA. Veja o que os desenvolvedores precisam fazer e o que muda para você.

Por Redação IntelliTechs3 min de leitura
Escudo metálico com bordas ciano brilhantes diante de uma moldura vazia

A Apple atualizou as regras de revisão da App Store para combater apps que usam inteligência artificial para “despir” pessoas em fotos, as chamadas ferramentas de nudificação. Conteúdo sexual explícito já era proibido na loja, mas agora os desenvolvedores precisam prevenir e remover ativamente deepfakes íntimos feitos sem consentimento, sob risco de ter o app retirado. A mudança foi divulgada em 16 de outubro de 2026 e vale para quem publica apps de IA e para quem usa o iPhone.

O que mudou nas regras

Segundo a MacRumors, a diretriz 1.2 passou a citar de forma explícita os apps de criação de conteúdo com IA. A mesma reportagem sugere que a regra pode mirar apps como o Grok, da xAI, que a Apple já havia ameaçado tirar da loja por causa de deepfakes de nudez. De acordo com a publicação, a xAI incluiu salvaguardas e a Apple aprovou uma versão atualizada.

Há também uma regra nova, a 2.5.19, contra o golpe do “bait-and-switch” (isca e troca). Ela atinge desenvolvedores que acrescentam, depois da revisão, recursos que não estavam na versão enviada. É o truque usado por apps de nudificação, que escondem a verdadeira função na hora da análise. Quem for pego corre o risco de ter o app removido e de ser expulso do Apple Developer Program, o programa que dá a empresas e pessoas o direito de publicar na loja.

A MacRumors cita ainda a seção 5, que estende para a distribuição alternativa de apps a proibição já existente de apps que facilitem tráfico de pessoas ou exploração infantil. A Apple resumiu a postura em uma frase: “We do not hesitate to remove apps, and terminate the developers behind them, when they violate these guidelines.”

O que os desenvolvedores precisam fazer

Para apps que hospedam conteúdo enviado por usuários, a Engadget lista as exigências:

  • filtrar imagens íntimas sem consentimento, incluindo as geradas por IA;
  • oferecer um jeito de o usuário denunciar conteúdo ofensivo;
  • permitir o bloqueio de contas abusivas;
  • impedir o envio desse tipo de imagem;
  • remover as que passarem pelos filtros.

Apps sem salvaguardas adequadas, ou que não corrigem uma violação depois de avisados, podem ser retirados da App Store. Quem mentir sobre a função do app na revisão e tiver recursos de nudificação será removido, e os criadores saem do programa de desenvolvedores.

Por que isso importa para quem usa o iPhone

Deepfakes íntimos afetam pessoas comuns, não só celebridades: basta uma foto publicada numa rede social para alguém virar alvo. Quando a loja que distribui os apps passa a cobrar filtros e canais de denúncia, o caminho para essas ferramentas chegarem ao celular fica mais estreito. Isso não impede que elas existam na web, ponto que apareceu entre comentários de leitores citados pela MacRumors, e há quem duvide que a Apple vá aplicar as regras com o mesmo rigor contra plataformas grandes, como o X.

Minha avaliação é que a parte mais útil é a exigência de denúncia e bloqueio dentro de cada app. Se você usa um app com IA que gera ou compartilha imagens, vale procurar onde fica o botão de denunciar. Se alguém publicou uma imagem íntima falsa sua, denuncie no próprio app e guarde capturas de tela como registro.

Para mais sobre as mudanças na loja da Apple, veja como ela abriu o envio de apps para o dobrável, no nosso texto sobre o iPhone Duo e a App Store, e como ela trata IA fora dos Estados Unidos, em Apple Intelligence na China.

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