
O Google liberou nesta terça-feira (13) o Gemini 4 Argon, o novo modelo de ponta da empresa. Ele já está no app do Gemini e no Modo IA da Busca, mas só para quem assina o Google AI Pro ou o Ultra. Segundo o The Decoder, o Argon passa a ocupar o lugar da linha Pro como série principal, e o Google diz que outros modelos do Gemini 4 vão chegar depois.
O que o Google está entregando
O Argon é vendido como um modelo para tarefas pesadas: finanças, programação, escrita criativa e defesa em segurança digital. Na versão para o público, o Google destaca respostas mais rápidas, com menos rodeios, repetições e frases feitas, de acordo com Josh Woodward, vice-presidente de produto do Gemini. Em tarefas longas, o modelo consegue devolver uma resposta enquanto ainda está “pensando”, e ficou mais fácil alternar entre conversa e tarefas dentro do app.
Para desenvolvedores, o Argon está na API do Gemini, no AI Studio e no Antigravity, a ferramenta de programação com agentes do Google. A janela é de 1 milhão de tokens (a quantidade de texto que o modelo considera de uma vez), com um novo protocolo de continuação descrito na documentação. O Engadget conta que o modelo chegou primeiro a integrantes do programa Fairwind, que reúne governos e parceiros de confiança, no começo de outubro.
Quanto custa
No consumo, os preços citados pelo Engadget são os dos planos americanos: US$ 20 por mês no AI Pro e pelo menos US$ 100 por mês no AI Ultra. Os valores em reais não foram divulgados.
Na API, o Google cobra um preço de lançamento até 30 de novembro. Depois, o valor dobra:
| Modelo | Entrada (por milhão de tokens) | Saída (por milhão de tokens) |
|---|---|---|
| Gemini 4 Argon, promocional | US$ 2 | US$ 10 |
| Gemini 4 Argon, regular | US$ 4 | US$ 20 |
| Claude Opus 5.5 | US$ 4 | US$ 20 |
| GPT-6 Astra | US$ 10 | US$ 50 |
| Claude Fable 5.1 | US$ 10 | US$ 50 |
A tabela é do The Decoder. O cache de entrada, usado quando o mesmo trecho é reaproveitado, sai 95% mais barato. A Artificial Analysis, citada pelo Engadget, afirma que o Argon iguala a nota do GPT-6 Astra no seu índice de inteligência gastando 60% do custo por tarefa, a preços promocionais.
Como ele se sai
O Google diz que o Argon lidera o Vals Index, que mede trabalho em finanças, programação, direito e impostos, e que marcou 87% no ERQA, teste de raciocínio sobre o mundo físico. No Gray Swan, que mede a resistência a ataques de injeção de comandos escondidos em textos, a taxa de sucesso dos ataques foi de 0,7% em 15 tentativas adaptativas. O Decoder lembra que não está claro se os testes dos concorrentes foram idênticos, então a comparação com os 8,5% do GPT-6 Astra e os 4,8% do Claude Opus 5 deve ser lida com cuidado.
Há também contexto menos favorável. Segundo o Decoder, o Argon ainda fica atrás do Claude Opus 5.5 nos rankings independentes gerais e chegou cerca de duas semanas depois dos rivais, o que o coloca atrás do Muse Wonder Full, da Meta, lançado um dia antes. Os números de produtividade, como o aumento de mais de 35% nos envios de código por agentes e a queda de quase um terço nas reversões, vêm do próprio Google e não foram verificados por terceiros.
Sobre segurança, o Google afirma que testes externos de risco biológico conseguiram contornar menos de 1% das verificações e que as tentativas de atalhos não autorizados caíram para 2%. O modelo também foi treinado para pedir confirmação humana antes de passos irreversíveis.
O que fazer agora
Se você já assina o Pro ou o Ultra, vale testar o Argon nas tarefas em que o modelo anterior te decepcionava: textos longos, planilhas e código. Quem usa o plano gratuito não precisa fazer nada, porque, como explicamos sobre os limites do Gemini gratuito, esse nível fica nos modelos Flash. Se quiser entender por que modelos assim às vezes erram com convicção, o texto sobre o que é um modelo de linguagem ajuda.
Para empresas e desenvolvedores, a conta é de calendário: o preço de US$ 2 e US$ 10 só vale até 30 de novembro. Quem planeja testar em escala deve fazer as contas já com o valor dobrado. O Decoder também diz que o Google testa um sucessor com o codinome “Carbon”, que seria melhor em programação, então comprometer um projeto inteiro com o Argon agora pode não ser a melhor ideia.
Preço em reais e data para quem usa o AI Plus ainda não foram anunciados.


