Inteligência Artificial

Gemini 4: 4 agentes de IA zeram Minecraft sem ajuda humana

Quatro agentes do Gemini 4 Argon derrotaram o Ender Dragon em Minecraft sozinhos, em 27 horas. Veja a coordenação, o custo e o que isso significa.

Por Redação IntelliTechs3 min de leitura
Quatro mãos robóticas metálicas montando juntas um bloco cúbico brilhante sobre fundo grafite

Quatro agentes de IA rodando o Gemini 4 Argon, modelo do Google, derrotaram o Ender Dragon, o chefe final de Minecraft, sem nenhuma intervenção humana. A equipe do Google DeepMind descreveu o feito em um artigo científico, e a execução levou 27 horas e 14 minutos. Interessa a quem acompanha o avanço dos agentes de IA, sistemas que executam tarefas em várias etapas por conta própria.

O que aconteceu exatamente?

Os quatro agentes jogaram em um mundo de Minecraft gerado aleatoriamente, em modo sobrevivência e dentro de um ambiente isolado. Ninguém definiu papéis, estratégias ou ferramentas específicas do jogo. Cada agente controlava um jogador pela Mineflayer, uma biblioteca de código aberto que permite controlar personagens de Minecraft por programa. Um quinto agente, chamado de “Observer”, só acompanhava a partida como testemunha independente: verificava se havia trapaça e publicava relatórios ao vivo e de resumo, segundo o Engadget.

Os números, de acordo com The Decoder e Engadget:

  • 2.783 programas escritos e executados pelos agentes;
  • 229 mensagens trocadas entre eles;
  • 605 mortes no total;
  • cerca de 1,35 bilhão de tokens de entrada (tokens são os pedaços de texto que o modelo lê e escreve).

Como eles se coordenaram?

Os agentes conversaram pelo chat do jogo e usaram uma memória compartilhada. Sozinhos, dividiram o trabalho e cada um acabou num papel: segundo o Engadget, um fazia ferramentas, outro buscava comida e suprimentos, outro acendia o portal e outro construía abrigos contra os Endermen, inimigos do jogo, e deu o golpe final.

Eles também avisavam uns aos outros sobre ameaças, passavam dicas e coordenadas, recuperavam os itens de companheiros que morriam e registravam os erros na memória compartilhada para não repeti-los. Com 605 mortes ao longo da partida, essa memória parece ter tido bastante trabalho.

Quanto custou?

O The Decoder informa que a sessão custou US$ 1.620, calculados no preço padrão do Gemini 4 Argon, que passa a valer em 2027. O Engadget dá as duas contas: US$ 810 no preço de tabela atual do Google e US$ 1.620 no preço padrão. De um jeito ou de outro, é muito dinheiro para zerar um jogo, e por isso isso ainda é pesquisa e não um produto.

Por que isso importa?

O Engadget lembra o contraste com o AlphaGo, da própria DeepMind: para vencer o Go foi preciso criar um sistema de IA sob medida. Aqui, um modelo geral, sem ferramentas específicas, completou um jogo longo e complexo. O veículo também cita um caso parecido com o GPT-6 em Pokémon como exemplo da mesma tendência.

Vale manter o pé no chão. A afirmação de que é a primeira vez que agentes completam Minecraft de ponta a ponta sem ajuda vem da própria equipe e não foi verificada de forma independente, segundo o Engadget. O teste também ocorreu em um único mundo aleatório e isolado, com custo e consumo de tokens altos.

Para o leitor comum, a lição é prática. Assistentes de IA que cuidam de tarefas longas, como organizar uma viagem ou resolver um problema técnico, dependem das mesmas habilidades: planejar, dividir o trabalho, corrigir falhas e lembrar o que deu errado. O Minecraft é um laboratório barato para testar isso, no sentido de que errar não machuca ninguém, embora o custo da conta ainda seja alto. Se você quer conhecer o modelo por trás do experimento, nossa cobertura do Gemini 4 Argon explica quem tem acesso e o que ele faz.

Onde já vemos agentes no dia a dia?

Agentes que agem por você já aparecem em produtos de consumo, em escala bem menor. Um exemplo é a extensão do ChatGPT para o Chrome, que lê suas abas e executa tarefas no navegador. A diferença para o experimento do Minecraft é a duração e o risco: aqui, os agentes tinham mais de um dia para tentar, morrer e tentar de novo, e cada morte só custava tempo. Na vida real, um erro pode apagar um arquivo ou comprar a coisa errada, e é por isso que a supervisão humana continua sendo a regra.

Outro detalhe que merece atenção é o Observer. Ter um agente separado só para conferir se não houve trapaça é uma ideia que deve se repetir: quanto mais autonomia a IA ganha, mais importa ter uma checagem independente do que ela fez.

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