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Cartão microSD: o que significam C10, U3, V30 e A2

Entenda as classes de velocidade do cartão microSD e escolha a certa para câmera, celular ou Switch 2 sem pagar por um número que seu aparelho não usa.

Por Redação IntelliTechs5 min de leitura
Cartão de memória pequeno com contatos dourados sobre uma superfície metálica escovada

Quem compra um cartão microSD encontra uma sopa de símbolos na embalagem: C10, U3, V30, A2, UHS-I. Cada um mede uma coisa diferente, e o número grande de “até 200 MB/s” estampado na frente costuma ser o que menos importa. Este guia explica o que cada símbolo quer dizer e qual deles olhar conforme o que você vai fazer com o cartão.

Por que existem tantas classificações

A velocidade de um cartão não é um número só. Gravar uma sequência contínua de vídeo é um trabalho diferente de abrir centenas de arquivos pequenos de um aplicativo, e o cartão pode ser ótimo em um e fraco no outro. Por isso a SD Association, entidade que define o padrão dos cartões, criou classes separadas para cada tipo de uso.

Vale também separar duas coisas: a classe é uma garantia de desempenho mínimo, enquanto o número de “até X MB/s” é um valor máximo de leitura que depende do cartão, do leitor e do aparelho.

As cinco classificações, uma por uma

1. Speed Class (C2, C4, C6, C10)

É a mais antiga. Indica a velocidade mínima de gravação em sequência. O C10 garante pelo menos 10 MB/s. Serve como desempenho de base e diz pouco para quem precisa de mais velocidade.

2. UHS Speed Class (U1 e U3)

Também mede a gravação mínima em sequência, mas em aparelhos compatíveis com UHS. O U1 garante pelo menos 10 MB/s e o U3, pelo menos 30 MB/s. O U1 se sobrepõe ao C10, então os dois não são equivalentes em todos os casos.

3. Video Speed Class (V6, V10, V30, V60, V90)

Foi pensada para gravar vídeo de alta resolução, inclusive 4K e 8K. O número indica a velocidade mínima de gravação contínua em MB/s: o V30, por exemplo, garante 30 MB/s sustentados. Para câmeras e filmadoras, esse é o selo que importa. O V6 e o V10 funcionam em barramentos High Speed e UHS, o V30 pede UHS, e o V60 e o V90 exigem UHS-II ou UHS-III.

4. Application Performance Class (A1 e A2)

Mede o desempenho em operações pequenas e espalhadas, típicas de aplicativos rodando no cartão. As exigências mínimas são:

Classe Leitura aleatória Gravação aleatória Gravação em sequência
A1 1.500 IOPS 500 IOPS 10 MB/s
A2 4.000 IOPS 2.000 IOPS 10 MB/s

IOPS é o número de operações de leitura ou gravação por segundo. Atenção: o A2 só entrega tudo isso se o aparelho também suportar os recursos dessa classe. Em um aparelho sem esse suporte, o cartão não entrega o desempenho completo.

5. SD Express (E150, E300, E450, E600)

É a classe mais nova e os números indicam o desempenho mínimo em MB/s: 150, 300, 450 e 600. Ela vale para cartões microSD Express, que só mostram essa velocidade em aparelhos preparados para o padrão. O Nintendo Switch 2, por exemplo, exige microSD Express para ampliar o armazenamento de jogos, sem pedir uma classe E específica. Em um Switch original, um cartão Express volta a funcionar nas velocidades de um microSD comum.

O número romano: UHS-I, II e III

O algarismo romano indica o barramento, isto é, a “estrada” entre o cartão e o aparelho. Ele define o teto de velocidade, não o desempenho garantido do cartão:

  • UHS-I: até 104 MB/s;
  • UHS-II: até 312 MB/s (no modo half-duplex);
  • UHS-III: até 624 MB/s.

O valor real depende do cartão, do leitor e do aparelho. Alguns cartões UHS-I anunciam leitura acima de 104 MB/s com tecnologia própria do fabricante, e isso só funciona com hardware compatível.

Se o seu problema é falta de espaço e não de velocidade, antes de comprar um cartão vale ver o nosso guia para liberar espaço no celular sem apagar fotos. E, se o cartão é para uma câmera de segurança, como a campainha Tapo D260, que grava em microSD, a regra é a mesma: confira o que o fabricante recomenda.

Como escolher: passo a passo

  1. Descubra o que o aparelho aceita. Abra o manual ou a página de suporte e veja se ele cita UHS-I, UHS-II, A2 ou microSD Express. Comprar uma classe acima do suporte do aparelho não acelera nada.
  2. Defina o uso principal. Vídeo, apps e jogos, ou só guardar fotos e arquivos.
  3. Para gravar vídeo: se o manual da câmera pede uma classe V, compre exatamente essa. A gravação sustentada pesa mais do que a velocidade de leitura de pico.
  4. Para apps no celular ou tablet: procure A1 ou A2, dando preferência ao A2 se o aparelho tiver suporte.
  5. Para o Switch 2: o cartão precisa ser microSD Express. Não é preciso se preocupar com a classe E.
  6. Para copiar fotos e arquivos: olhe o barramento e a velocidade de leitura, desde que o seu leitor de cartão acompanhe.
  7. Desconfie da leitura de 190 ou 200 MB/s na frente da caixa. Esse número mede outra coisa e não garante a gravação sustentada que um vídeo exige.

Qual classe para cada situação

  • Câmera de ação ou filmadora 4K: classe V indicada pelo fabricante da câmera, geralmente V30 ou acima;
  • Celular ou tablet com apps no cartão: A1 ou A2;
  • Console portátil: o que o fabricante pedir, como microSD Express no Switch 2;
  • Armazenamento de fotos e músicas: C10 ou U1 já bastam.

Perguntas frequentes

Posso usar um cartão de classe maior que a do aparelho?

Pode. O cartão funciona, mas vai render conforme o que o aparelho suporta, então você paga a mais sem ganho.

U3 e V30 são a mesma coisa?

Ambos garantem 30 MB/s de gravação mínima em sequência, mas a classe V é a pensada para vídeo e traz recursos próprios para esse uso. Se o manual da câmera pede V30, compre V30.

Para que serve a classe A2 se meu celular não a suporta?

Para nada além do que o A1 já faria. O A2 só mostra todo o desempenho em aparelhos com suporte aos recursos dele.

O número “até 200 MB/s” é a velocidade de gravação?

Não. Esse valor costuma ser de leitura máxima e depende do cartão, do leitor e do aparelho. Para vídeo, confie na classe V.