
A Meta apresentou nesta segunda-feira (12) o Muse Wonder e o Muse Wonder Full, que a empresa trata como seus primeiros modelos de IA de ponta, no mesmo nível dos lançamentos da OpenAI e da Anthropic. Segundo o TechCrunch, os dois vêm do laboratório de superinteligência da Meta e vão alimentar o agente Muse.
O que a Meta está entregando
O Muse Wonder é maior e mais capaz que o Muse Spark, o modelo leve lançado antes, que foi pensado para responder rápido. Nos testes divulgados pela própria Meta, os novos modelos ficam próximos do Fable 5.1 e do GPT-6 Astra, e a empresa diz que o Wonder supera esses concorrentes no MemoryBench, um teste de memória.
A memória é, aliás, a aposta central. A Meta fala em “memória ativa”: o modelo guarda e combina o que você conta ao longo de dias, semanas e meses. Há ainda o “foco ativo”, que faz a IA insistir em tarefas difíceis, tentar outro caminho quando trava e fazer perguntas de esclarecimento. Os dois modelos aceitam texto, imagem, vídeo e áudio, e têm janela de contexto de 1 milhão de tokens (a quantidade de texto que o modelo consegue considerar de uma vez).
Como ele se sai nos testes independentes
A análise da Artificial Analysis, publicada pelo The Decoder, dá nota 56 ao Wonder Full e 52 ao Wonder no seu índice de inteligência, contra 48 do Muse Spark 1.3. O Wonder Full ficou entre os três primeiros em seis de dez testes, segundo a Meta.
Os maiores avanços estão em tarefas de agente, em que a IA executa etapas sozinha:
- No índice de agentes de programação, o Wonder Full marcou 68, empatando com o Claude Code usando o Sonnet 5.5. O Wonder subiu de 54 para 63.
- No Terminal-Bench, o Wonder Full passou de 33% para 57%, usando 30% menos tokens de saída.
- No ProofBench, de provas matemáticas, resolveu 94 de 100 problemas, contra 58 antes. Os melhores modelos resolvem 99 ou 100.
- A taxa de alucinação (respostas inventadas) do Wonder Full caiu de 33% para 23%.
Nem tudo avançou. Em tarefas de finanças e direito o desempenho ficou no nível do antecessor, com queda de até dois pontos. E no teste de conhecimento AA-Omniscience o Wonder Full tem 30 pontos, bem abaixo do Claude Opus 5.5 (46) e do GPT-6 Astra (43), o que sugere um modelo-base menor.
Quanto custa e quem pode usar
Na API da Meta, o Muse Wonder custa US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de tokens de saída, contra US$ 1,25 e US$ 4,25 do Muse Spark. Na prática, o custo por tarefa no índice da Artificial Analysis subiu de US$ 1,60 para US$ 4,52, quase o triplo. Para comparar, a mesma medida dá US$ 5,98 para o Claude Opus 5.5 e US$ 3,26 para o GPT-6 Astra.
O Wonder está disponível pela API e pelo Muse Code, e em breve passa a alimentar o app Muse, começando pelos assinantes pagos. O Wonder Full, por enquanto, é só para quem usa o Muse Code e não aparece na API. O preço dele ainda não foi divulgado. Os modelos foram treinados no data center Prometheus, em Ohio, nos Estados Unidos. A Meta também diz que pretende criar modelos especializados a partir do Wonder para todos os usuários ao longo do tempo.
O contexto
É a primeira entrega de ponta desde que Alexandr Wang reorganizou a área de IA da Meta, em agosto de 2025. Desde então a empresa havia lançado o Muse Spark e o agente Muse, mas ainda não tinha um modelo no nível dos líderes. Se você quer entender o que está por trás desses sistemas, o nosso texto sobre o que é um modelo de linguagem explica por que eles às vezes inventam respostas.
Para ver como a concorrência anda lidando com seus próprios agentes, leia também o caso em que a Anthropic cortou a internet do Claude após uma denúncia falsa.


