Inteligência Artificial

Meta Muse Spark Open: IA aberta de 816 bi que roda em Macs

A Meta liberou o Muse Spark Open, modelo de pesos abertos otimizado para Mac Studio com M5 Ultra. Veja o que ele faz, o hardware exigido e quanto custa rodar.

Por Redação IntelliTechs4 min de leitura
Chip metálico com linhas de circuito ciano brilhantes sobre fundo grafite

A Meta lançou nesta quinta-feira (15) o Muse Spark Open, um modelo de IA de pesos abertos com 816 bilhões de parâmetros e janela de contexto de 1 milhão de tokens. Os pesos já podem ser baixados no Hugging Face, e a empresa o otimizou para o Mac Studio com chip M5 Ultra, da Apple. O porém: para rodar o modelo inteiro em casa, são necessários cerca de 1 TB de memória.

O que é um modelo de pesos abertos?

Um modelo de pesos abertos (open-weight) é aquele cujos “pesos”, os números que o treinamento ajusta e que guardam o que a IA aprendeu, ficam disponíveis para download. Quem baixa pode rodar o modelo na própria máquina, sem depender do servidor da empresa. Isso não é o mesmo que código aberto completo: dados de treinamento e outros detalhes podem continuar fechados, e as fontes que lemos não informam qual licença a Meta aplicou ao Muse Spark Open.

A Meta chama o modelo de “o modelo de pesos abertos dos EUA mais capaz até hoje”. Segundo os testes divulgados pela própria empresa, ele supera dois modelos chineses de ponta, o GLM 5.3 e o Kimi K3, em tarefas de agente (quando a IA executa etapas sozinha) e em raciocínio visual. Não há números detalhados nem testes independentes por enquanto, então vale tratar a comparação como afirmação da Meta. A empresa também disse que acredita que os EUA não devem deixar laboratórios chineses liderarem a IA de código aberto.

O que ele faz e como foi pensado

O modelo é nativamente multimodal, o que quer dizer que foi treinado desde o início para lidar com mais de um tipo de conteúdo, como texto e imagem. Dos 816 bilhões de parâmetros, só 42 bilhões ficam ativos de cada vez, uma técnica que reduz o trabalho feito a cada palavra gerada. O foco são programação, tarefas longas e raciocínio em várias etapas.

Para mostrar o uso no dia a dia, a Meta testou fluxos que rodaram inteiramente no computador, combinando o modelo com o Muse Code, seu terminal de programação com IA. Em um dos testes, o modelo fez correções de bugs, criou recursos novos e gerou a versão completa do Ice Cubes, um cliente de código aberto do Mastodon para iPhone. Em outro, usou o DaVinci Resolve, editor de vídeo, para analisar as filmagens quadro a quadro, escolher os melhores momentos e recortá-los em formato vertical.

Por que o Mac Studio, e quanto custa rodar?

O motivo é a memória unificada dos chips da Apple, que CPU e GPU compartilham. Segundo a Meta, o M5 Ultra permite até 512 GB por Mac Studio, e a largura de banda de 1,2 TB/s basta para ler a pequena parte do modelo necessária a cada palavra. Dois Mac Studios de 512 GB ligados entre si formam algo como um supercomputador com 1 TB de memória, na descrição da empresa. A Meta usou a versão mais recente do MLX, o framework de código aberto da Apple para o seu hardware, e diz que a combinação é a melhor forma de rodar um modelo potente num desktop próprio.

A conta, porém, assusta. A Apple ainda não divulgou preço nem data do Mac Studio de 512 GB, previsto para o fim de outubro. Segundo a Engadget, uma alternativa com quatro Mac Studios de 256 GB custaria perto de US$ 38 mil. Para o site, isso deixa o uso local fora do alcance de desenvolvedores individuais, mas pode fazer sentido para grandes empresas que gastam muito com tokens, caso o desempenho se confirme.

Quem não tem esse hardware pode usar?

Sim, pelo caminho indireto. O TechCrunch informa que o modelo já está em várias plataformas de API, sem listar os nomes. Nelas você paga pelo uso em vez de comprar as máquinas. O preço dessas plataformas não foi informado.

O contexto da parceria

A colaboração com a Apple chama atenção pelo histórico de tensão entre as duas empresas. Em entrevista ao Axios, Alexandr Wang, chefe de IA da Meta, disse que as empresas trabalham juntas há vários meses e que ficou animado com a retomada de uma relação mais cordial. Ele creditou a Daniel Gross, ex-executivo da Apple, um papel importante na aproximação.

O lançamento vem poucos dias depois do Meta Muse Wonder, o primeiro modelo de ponta da empresa, que é fechado e cobrado por uso na API. O Muse Spark Open segue o caminho oposto: pesos abertos para quem quiser baixar. Se você quer entender por que esses sistemas às vezes erram, o texto sobre o que é um modelo de linguagem ajuda.

Vale a pena para você?

Se você é usuário comum, o impacto imediato é pequeno: ninguém roda 816 bilhões de parâmetros num notebook. O efeito mais provável vem de segunda mão, com desenvolvedores e empresas criando serviços em cima do modelo, e da pressão competitiva sobre os modelos abertos chineses. Se você é desenvolvedor, o ponto a acompanhar é a licença, que ainda precisa ser conferida na página do modelo antes de qualquer uso comercial, e o preço final do Mac Studio de 512 GB. Para testes pontuais, uma plataforma de API sai muito mais barato do que montar a estação.

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