
O primeiro elétrico da Ferrari, o Luce, vai custar a partir de US$ 560.800 nos Estados Unidos. O valor foi publicado primeiro pela Car and Driver e confirmado pela própria Ferrari. As entregas no mercado americano estão previstas para o segundo trimestre de 2027. É cerca de US$ 80 mil abaixo dos aproximadamente US$ 640 mil que circulavam desde o lançamento, em maio.
Por que o preço caiu em relação ao que se esperava?
A cifra de US$ 640 mil nunca foi um preço oficial americano. Ela vinha da conversão direta do preço europeu, de 550 mil euros, a uma cotação de cerca de US$ 1,16 por euro. Só que o valor europeu já inclui impostos. Na Itália, o IVA é de 22%, e sem ele o Luce sai por cerca de 450,8 mil euros, ou uns US$ 506 mil.
Isso quer dizer que o preço americano ainda fica uns US$ 55 mil acima do valor italiano sem imposto. Parte da diferença vem da política comercial: carros fabricados na Europa pagam tarifa de 15% para entrar nos EUA, e a Ferrari já havia reajustado parte da linha vendida lá no ano passado por esse motivo. Os US$ 560.800 também não incluem opcionais, que a marca ainda não precificou, nem o imposto estadual sobre vendas.
O que o Luce entrega?
O carro tem quatro motores elétricos, um em cada roda, que somam 1.035 hp. A arquitetura é de 800 volts, com bateria de 122 kWh fornecida pela SK On e recarga de até 350 kW.
Os números de desempenho segundo a Electrek:
| Item | Valor |
|---|---|
| Potência combinada | 1.035 hp |
| Bateria | 122 kWh (SK On) |
| Recarga máxima | 350 kW |
| Autonomia (ciclo WLTP) | 529 km |
| 0 a 100 km/h | 2,5 s |
| Peso | 2.260 kg |
É também o primeiro Ferrari com cinco lugares. O desenho, assinado em parceria com a LoveFrom, estúdio de Jony Ive e Marc Newson, recebeu muitas críticas na internet. A InsideEVs chega a chamá-lo de o Ferrari mais polêmico já feito. Segundo a Electrek, as ações da Ferrari caíram forte nos dias seguintes à apresentação e depois se recuperaram.
Como ele se compara à concorrência?
A comparação mais incômoda é com o Lucid Air Sapphire, que tem mais de 1.200 hp e custa em torno de US$ 250 mil. Em outras palavras, dois Lucid custariam menos que um Luce. A InsideEVs também lembra que a autonomia fica atrás de muitos Tesla, Lucid, Rivian, BMW e Hyundai. Aqui vale uma ressalva de medida: o ciclo WLTP, usado na Europa, costuma ser mais generoso que o ciclo americano, então o número muda conforme a fonte.
Do lado de quem desistiu, a Maserati cancelou seu MC20 Folgore elétrico, em meio a dúvidas parecidas sobre a demanda por superesportivos a bateria. Já a Bentley prepara um SUV elétrico de porte médio que, segundo a InsideEVs, deve custar bem menos.
Existe demanda para um Ferrari elétrico?
Pelo menos por enquanto, sim. A Ferrari vendeu toda a produção alocada para 2026, pouco menos de 500 unidades, em menos de dois meses, com a China respondendo por boa parte dos pedidos. O primeiro chassi de produção foi leiloado em agosto por US$ 40 milhões, em benefício da Fundação Ferrari.
A Electrek lembra que parte dessa fila pode ser de clientes antigos que querem garantir acesso a futuros modelos V12 de série limitada, e não de entusiastas do Luce em si. Por isso, a publicação vê 2027 e 2028 como o teste de verdade: quando os primeiros colecionadores já tiverem seus carros, o Luce terá de se sustentar sozinho.
Vale esperar o Luce chegar ao Brasil?
A Ferrari não anunciou preço nem data para o mercado brasileiro, e as fontes não citam o México. Sem esses dados, qualquer conversão para reais seria chute. O que dá para dizer com segurança é que o Luce é um carro de nicho, comprado por colecionadores, e não um sinal de que os elétricos de rua vão ficar mais caros.
Para quem quer entender o que pesa antes de comprar um elétrico de verdade, vale ler nosso texto sobre se o carro elétrico vale a pena e ver como outra marca de luxo trata a potência em números, no caso do BMW iX3 M60 xDrive, que entrega 603 hp e vai de 0 a 100 km/h em 3,9 s.
No fim, o Luce importa menos pelo que entrega do que pelo que testa: se o público do luxo aceita pagar mais de meio milhão de dólares por um Ferrari sem motor a combustão e sem o ronco que fez a fama da marca.


