
A SpaceX e a Tesla formaram comitês especiais para discutir uma possível fusão das duas empresas, mas Elon Musk avisa que o negócio não é certo. Ele revelou os comitês na teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2026 da SpaceX, segundo o Engadget, que cita uma reportagem do TechCrunch. Até agora, não há acordo.
O que foi anunciado?
Musk é CEO das duas companhias. Na teleconferência, disse que os acionistas pediram os comitês e que há “muito mérito” em juntar as empresas. Os ganhos que ele citou vêm de cooperação em “software de superinteligência, design de chips” e robótica, de acordo com o Engadget.
Os comitês são formados por conselheiros independentes das duas empresas. A Tesla lista sete conselheiros independentes e a SpaceX, seis. Ira Ehrenpreis aparece nos dois conselhos e é considerado independente por ambos. Musk não participa das discussões porque é tratado como “parte conflitada”, assim como o irmão dele, Kimbal Musk.
O Engadget destaca que os comitês ainda não chegaram a nenhum acordo e que não está claro até onde as conversas avançaram. Também não há valor divulgado. O site diz apenas que a empresa resultante valeria “trilhões de dólares”.
Quem teria de aprovar?
Aqui está a parte que mais pesa. Segundo o Engadget, Musk controla cerca de 82% do poder de voto na SpaceX, então a aprovação do lado dela seria praticamente decidida por ele. Na Tesla o caminho é bem mais complexo: a fusão precisaria do aval de 50% de todos os acionistas, e não só dos que votam. Esse detalhe significa que, mesmo com uma proposta pronta, conseguir a maioria exigiria mobilizar muita gente.
Outro ponto de ligação já existe. A Tesla tem ações da SpaceX porque seu investimento de US$ 2 bilhões na xAI virou participação na SpaceX depois que esta comprou a xAI. Ou seja, as empresas já estão entrelaçadas, ainda que de forma indireta.
O que dizem os leitores e analistas?
O CleanTechnica reuniu comentários de leitores, e vale lembrar que eles são opinião, não fato. Os argumentos a favor incluem a lógica da cadeia de suprimentos: um leitor afirma que a Tesla está montando uma grande fábrica de chips de IA de que a SpaceX precisaria para um centro de dados espacial. Outros apontam que a fusão daria a Musk mais controle sobre a Tesla e acesso a mais capital para IA, robótica e satélites.
Do outro lado, há quem diga que os negócios têm pouco em comum e que a Tesla poderia simplesmente vender chips à SpaceX sem se fundir. Há também a preocupação de que a Tesla assuma custos de áreas que ainda dão prejuízo, como a de IA. O próprio CleanTechnica diz ser difícil entender como a fusão ajudaria alguém. Trate esses pontos como debate, não como análise comprovada.
O que isso muda para você?
Hoje, nada na prática. Os carros, os preços e o suporte da Tesla continuam como estão. Nossa cobertura recente mostra que as duas empresas já se cruzam em produtos, como no Roadster com propulsores de ar comprimido da SpaceX e no Starlink Mobile, mas isso é colaboração, não fusão.
Se você é dono de um Tesla, a pergunta útil é se a empresa continuará focada em carros. Ninguém respondeu isso ainda, e as fontes não trazem plano nenhum para a linha de veículos. Quem investe em ações deve ler a notícia como um sinal de que o assunto está sendo estudado formalmente, nada além disso.
E agora?
Os próximos passos são os comitês concluírem a análise e, se houver proposta, ela precisar ser aprovada pelos acionistas. Vale acompanhar três coisas: se algum valor ou proporção de troca de ações for divulgado, se a Tesla confirmar o processo de votação e se Musk voltar a falar do tema. Até lá, a informação segura é curta: duas empresas, dois comitês, nenhuma decisão.


