
A General Motors vai fechar a fábrica de montagem de baterias de Brownstown, perto de Detroit, no estado de Michigan (EUA). Segundo a Automotive News, citada pela InsideEVs, a unidade será desativada até o próximo verão, quando termina o contrato de aluguel do terreno. A produção vai para outras fábricas da GM, e a empresa diz que o fechamento não tem relação com sua estratégia de elétricos.
O que a fábrica fazia?
Brownstown é uma planta de cerca de 44.600 metros quadrados (480 mil pés quadrados) que abriu em 2009. Ela montava as baterias de alta tensão do Cadillac Celestiq, o elétrico de luxo da marca, além de baterias e unidades de tração (os conjuntos de motor) do Chevrolet Corvette E-Ray, um esportivo eletrificado que combina motor a combustão e elétrico.
A GM disse que o trabalho será transferido para “outras instalações próximas” da empresa. Segundo a InsideEVs, o número de funcionários chegou perto de 300 e hoje está abaixo de uma dúzia, depois que a produção foi reduzida por causa de uma demanda menor que a esperada. Os trabalhadores afetados foram avisados no início do ano e receberam oferta de vagas em outras fábricas da região.
Por que fechar agora?
O motivo oficial é o contrato de aluguel, que está perto do fim. Um porta-voz da GM disse ao TechCrunch, segundo a Electrive, que o fechamento não estaria ligado à estratégia da empresa para elétricos. Mesmo assim, o contexto pesa: a fábrica já estava quase vazia, e na nossa leitura modelos de baixo volume como o Celestiq e o Corvette E-Ray não sustentam uma linha grande de baterias.
O pano de fundo é um recuo dos elétricos nos EUA. O crédito fiscal federal de US$ 7.500 para compra de elétricos acabou depois de setembro de 2025. Nos números da InsideEVs, as vendas de elétricos da GM nos EUA no terceiro trimestre caíram para 25.472 unidades, contra 66.501 um ano antes. Parte da queda vem da corrida de compradores antes do fim do benefício, mas o volume não se recuperou.
Outros ajustes recentes da GM
A Electrive e a InsideEVs listam outras mudanças:
- A produção do Chevrolet Bolt deve chegar a cerca de 35 mil unidades, e não às 150 mil planejadas, antes de o modelo sair de linha no primeiro trimestre de 2027, segundo a Reuters.
- A GM reportou US$ 10,9 bilhões em encargos ligados a elétricos desde o segundo trimestre de 2025, também segundo a Reuters.
- Várias fábricas passaram a priorizar veículos a combustão. A GM ainda produz cerca de uma dúzia de modelos elétricos.
- Neste ano, a GM saiu de uma joint venture de baterias com a Samsung SDI, que ficou com o controle de uma fábrica planejada em Indiana. Em 2024, a empresa já havia saído de uma fábrica de baterias de US$ 2,5 bilhões em Lansing, hoje liderada pela LG Energy Solution.
- A fábrica de células de combustível a hidrogênio de Detroit também foi fechada, e a GM avalia outros usos para o prédio.
O que muda para o consumidor?
Para quem mora no Brasil, nada diretamente: a unidade atendia modelos vendidos nos EUA. Mesmo assim, o caso ajuda a entender o momento do setor. Sem o incentivo, o mercado americano esfriou, e as montadoras estão cortando capacidade que planejaram em época de crescimento rápido. É a mesma tendência que apareceu em vendas de carros elétricos nos EUA no terceiro trimestre.
Para o comprador de um Celestiq ou de um Corvette E-Ray, as fontes dizem apenas que o trabalho vai para outras unidades da GM. Vale perguntar à concessionária sobre garantia da bateria e disponibilidade de reposição antes de comprar um modelo de baixo volume.
Quem pensa em um elétrico em geral encontra um bom ponto de partida no texto carros a gasolina caem abaixo de 50% das vendas no mundo, que mostra o quadro global, bem diferente do americano.


