Carros Elétricos e Mobilidade

Tesla Roadster: propulsores de ar comprimido e 0 a 97 em 0,81 s

A Tesla mostrou o novo Roadster com propulsores de ar comprimido da SpaceX. Veja o que o carro faz, o que é só promessa e o que ainda não tem preço nem data.

Por Redação IntelliTechs4 min de leitura
Bocal metálico de propulsor soltando ar comprimido em ciano sobre fundo escuro

A Tesla reapresentou na quarta-feira (15) o novo Roadster, esportivo elétrico que usa propulsores de ar comprimido desenvolvidos com a SpaceX para dar saltos, giros e arrancadas fora do comum. A empresa afirma que ele vai de 0 a cerca de 97 km/h (60 mph) em 0,81 segundo, mas a produção só é esperada para 2028 e ainda não há preço oficial.

O que a Tesla mostrou?

A demonstração aconteceu em 15 de outubro, em uma instalação de testes da SpaceX em McGregor, no Texas. O Roadster fez giros no ar, pulou sobre outros carros e andou de cabeça para baixo em uma rampa. Segundo o site Yanko Design, um sistema de sucção sob o chassi ajuda o carro a ficar colado ao piso nessas manobras, e Elon Musk fala em mais de 2 G de aderência em curvas. Esse número não foi comprovado em estrada comum.

O desenho é de um cupê baixo e anguloso, com portas que abrem para cima e um aerofólio traseiro retrátil. O Engadget compara o visual ao da Cybertruck.

Como funcionam os propulsores?

O carro tem dois tanques de ar a alta pressão e dez bocais espalhados pela carroceria. Eles soltam jatos curtos de gás comprimido para ajudar a levantar o carro, controlar a posição no ar e reforçar a aceleração. A Tesla diz que o sistema chega a 80 quilonewtons de empuxo (a força, medida em newtons, que empurra o carro) e que os tanques podem se reabastecer sozinhos.

É o que se chama de propulsão a gás frio: não há queima de combustível, apenas ar sendo liberado sob pressão. Por isso, o Roadster não voa de verdade. Ele faz quedas controladas, saltos e giros.

Quais são as versões?

A Tesla definiu três configurações: Performance, Thrust e Rocket. A completa, com todos os propulsores, é a Rocket. A intermediária tem propulsores só na traseira, e a Performance não tem nenhum. A empresa avisa que os propulsores “não são aprovados para uso em vias públicas”, o que limita esse recurso a pistas e eventos.

Os detalhes finais de cada versão ainda não foram confirmados, e as especificações de produção não foram publicadas.

Quanto custa e quando chega?

A Tesla não divulgou preço. O site CleanTechnica estima um valor de US$ 200 mil ou mais, mas é palpite do autor, não número da empresa. Quanto à data, a Tesla indicou produção em 2028 e a meta vale como intenção, não como entrega garantida. O Roadster foi mostrado pela primeira vez em 2017, e o histórico de atrasos pede cautela.

Também não há informação de venda no Brasil ou no México, nem de homologação para uso nas ruas desses países.

O que o 0,81 s realmente quer dizer?

O tempo de 0,81 segundo é a marca da Tesla para a configuração com os propulsores ajudando na largada. O Yanko Design lembra que ninguém confirmou o número de forma independente em um carro de produção.

Vale entender a lógica: carros elétricos entregam torque imediato, mas o limite de uma arrancada é a aderência dos pneus. Os propulsores atacam esse limite de outro jeito, empurrando o carro para baixo ou para a frente com ar, em vez de depender só do atrito.

De onde vem a ideia?

O Engadget compara o conceito ao MKV (Multiple Kill Vehicle), um projeto militar da Lockheed Martin. Em 2004, a empresa ganhou um contrato de US$ 760 milhões da Agência de Defesa de Mísseis dos EUA para criar um sistema capaz de destruir vários mísseis balísticos e iscas com um só lançamento. O MKV usava propulsores para mudar de direção com rapidez e foi encerrado em 2009, em meio a cortes de orçamento.

A diferença é que, segundo o Engadget, os testes da Lockheed em 2008 foram de queima de combustível, enquanto a Tesla fala em gás frio. A ideia de usar jatos para manobrar existe há décadas, mas aplicá-la a um carro de rua é novidade.

Vale a pena esperar?

Por enquanto, o Roadster é mais vitrine de tecnologia do que produto. Quem quer um elétrico esportivo para o dia a dia tem opções que já existem, como mostramos na nossa análise sobre as vendas de carros elétricos nos EUA no terceiro trimestre. Já para quem acompanha o que a Tesla vem fazendo com o carro além da estrada, o texto sobre como o Model 3 e o Model Y podem alimentar sua casa mostra uma aplicação bem mais prática da marca.

Se você é fã de esportivos, vale registrar o interesse e acompanhar os anúncios de preço e de homologação. Até lá, trate cada número da apresentação como meta da fabricante.

Ver este artigo em Web Story